Terminologia essencial para a leitura e a redação em malacologia, conquiliologia,
sistemática e áreas afins — com foco na fauna brasileira e neotropical.
ABERTURA
aperture
Parte da concha dos gastrópodes por onde o animal projeta o complexo cabeça-pé; popularmente, a “boca” da concha. Sua forma (circular, oval, alongada, entalhada, denticulada) é um caráter diagnóstico importante.
ABISSAL
abyssal
Zona oceânica entre aproximadamente 3.000 e 6.000 m de profundidade, caracterizada por ausência de luz, baixa temperatura e alta pressão. Abaixo, situa-se a zona hadal.
ABLACA
Sinônimo popular de bisso (ver byssus).
ACIDIFICAÇÃO OCEÂNICA
ocean acidification
Redução do pH das águas marinhas pela absorção de CO₂ atmosférico. Dificulta a biomineralização de carbonato de cálcio, afetando diretamente conchas de moluscos, corais e foraminíferos.
ADUTOR
adductor
Músculo dos bivalves que conecta as duas valvas internamente, mantendo-as fechadas. Bivalves podem ser monomiários (um adutor, como Pecten) ou dimiários (dois adutores, como Mytilus).
ALBINO
albino
Indivíduo com ausência total ou quase total de pigmentos, resultando em coloração branca ou creme uniforme.
ALOPÁTRICO
allopatric
Diz-se de espécies ou populações que ocorrem em áreas geográficas separadas, sem sobreposição. Oposto de simpátrico.
AMONITA
ammonite
Cefalópode fóssil extinto (subclasse Ammonoidea), de concha externa espiralada com câmaras separadas por septos. Abundante do Devoniano ao Cretáceo; extinguiu-se no evento K-Pg.
ANÔNFALO
imperforate
Concha sem umbílico visível, com columela sólida. Sinônimo de imperfurado.
APICAL
apical
Relativo ao ápice da concha gastrópoda, isto é, à extremidade onde se encontra a protoconcha, oposta à abertura.
ÁPICE
apex
Extremidade da espira de uma concha gastrópoda, onde se inicia a concha durante o desenvolvimento (protoconcha). Sinônimo de vértice.
APLACÓFORO
aplacophoran
Molusco primitivo sem concha, de corpo vermiforme, revestido por cutícula com espículas calcárias (classe Aplacophora, dividida em Caudofoveata e Solenogastres). Exclusivamente marinhos.
ARAGONITA
aragonite
Forma cristalina metaestável do carbonato de cálcio (CaCO₃), mais solúvel que a calcita. Constitui a maior parte do nácar e das camadas internas das conchas. Vulnerável à acidificação oceânica.
ARBORÍCOLA
arboreal
Que habita árvores, troncos ou folhagem. Característica de vários gastrópodes terrestres neotropicais, como espécies de Drymaeus, Bulimulus e Cochlorina.
ÁREA CARDINAL
cardinal area
Superfície lisa ou levemente curva entre o umbo e a linha da charneira, em conchas bivalves.
AUTORIDADE TAXONÔMICA
taxonomic authority
Autor(es) e ano de descrição original de um táxon, citados após o nome científico. Ex.: Drymaeus magus (Wagner, 1827). Parênteses indicam recombinação posterior em outro gênero.
AURÍCULO
auricle
Projeção lateral próxima ao umbo em conchas do gênero Pecten e afins.
BARBA
Sinônimo popular de bisso (ver byssus).
BASAL
basal
Relativo à base de uma concha: extremidade oposta ao ápice em gastrópodes; margem oposta ao umbo em bivalves.
BASE
base
Em gastrópodes, extremidade oposta ao ápice. Em bivalves, margem oposta ao umbo.
BASOMATÓFORO
basommatophoran
Gastrópode pulmonado com olhos na base dos tentáculos (ordem Basommatophora, hoje tratada como grupo parafilético). Inclui caramujos de água doce como Biomphalaria e Lymnaea.
BATIAL
bathyal
Zona oceânica entre aproximadamente 200 e 3.000 m de profundidade, correspondente ao talude continental. Habitat de diversos gastrópodes marinhos brasileiros, como as espécies do gênero Vaninia.
BÍFIDE
bifid
Dividido em dois ramos. Aplicado especialmente à charneira de bivalves com dentes bifurcados.
BIOESPELEOLOGIA
biospeleology
Estudo da vida em ambientes cavernícolas. Inclui a investigação de moluscos troglóbios e troglófilos, como Caerbannogia calida, primeiro Eucalodiidae registrado no Brasil.
BIOGEOGRAFIA
biogeography
Estudo da distribuição geográfica dos seres vivos e dos processos históricos e ecológicos que a determinam. Fundamental para compreender endemismo e especiação em moluscos.
BIOMINERALIZAÇÃO
biomineralization
Processo pelo qual organismos produzem estruturas minerais como conchas, espinhos e esqueletos. Em moluscos, o manto secreta carbonato de cálcio (calcita ou aragonita) organizado em uma matriz de conchiolina.
BIVALVA
Forma popular minúscula que designa os representantes da classe Bivalvia.
BIVALVIA
Classe do filo Mollusca que inclui os moluscos com concha formada por duas valvas articuladas por uma charneira. Inclui ostras, mexilhões, amêijoas e vieiras. Também chamada (em classificações antigas) de Pelecypoda ou Lamellibranchia.
BOCA
Abertura de uma concha gastrópoda; ver abertura.
BRACHIOPODA
Filo independente, antigamente confundido com Mollusca. Braquiópodes possuem duas valvas (dorsal e ventral) e um órgão alimentar chamado lofóforo, diferente do complexo cabeça-pé dos moluscos.
BYSSUS
byssus
Feixe de fibras proteicas secretado pelo pé dos bivalves, usado para fixação a rochas, madeiras ou outros substratos. Presente, por exemplo, em Mytilus e Pinctada.
CAENOGASTROPODA
Subclasse de Gastropoda que reúne a maior parte dos caracóis marinhos modernos, além de alguns dulcícolas e terrestres. Inclui famílias como Muricidae, Conidae, Strombidae e Cypraeidae. Representa cerca de 60% da diversidade viva dos gastrópodes.
CALAMAR
Nome vulgar de moluscos cefalópodes da ordem Teuthida (lulas); também chamado de tintureiro.
CALCÁREO
calcareous
Composto predominantemente por carbonato de cálcio. Aplicado, por exemplo, a opérculos de gêneros como Turbo e Nerita.
CALCITA
calcite
Forma cristalina mais estável do carbonato de cálcio, menos solúvel que a aragonita. Compõe a camada externa (prismática) de muitas conchas bivalves, como ostras e mexilhões.
CALO
callus
Espessamento calcário depositado sobre a concha, em geral ao redor do umbílico ou sobre a columela. Comum em famílias como Naticidae, Cypraeidae e Olividae.
CANAL
canal
Extensão tubular da abertura de uma concha gastrópoda, contínua com a boca, que aloja o sifão.
CANAL SIFONAL
siphonal canal
Extensão tubular anterior da abertura, que suporta e protege o sifão inalante. Bem desenvolvido em Neogastropoda como Murex, Fusinus e Strombus.
CAPUZ
Câmara de habitação da concha dos cefalópodes.
CARACOL
Nome vulgar aplicado aos gastrópodes terrestres, incluindo formas sem concha visível (lesmas).
CARAMUJO
Nome vulgar aplicado a gastrópodes em geral, especialmente os de água doce e marinhos.
CARBONATO DE CÁLCIO
calcium carbonate
Composto químico (CaCO₃) que forma a parte mineral das conchas, sob a forma de aragonita ou calcita. Depositado pelo manto sobre uma matriz orgânica (conchiolina).
CARDINAL
cardinal
Termo aplicado ao dente central ou principal da charneira dos bivalves.
CAUDADO
caudate
Concha gastrópoda alongada na base, com canal sifonal bem desenvolvido.
CAUDAL
caudal
Situado na porção posterior de um animal ou de uma estrutura.
CAVIDADE
cavity
Espaço interno, oco, da concha. Pode ser simples, cônica ou espiral.
CAVIDADE PALIAL
mantle cavity
Espaço entre o manto e o corpo do molusco, onde se alojam brânquias, ânus, saídas dos sistemas excretor e reprodutor, e (em pulmonados) o pulmão.
CHARNEIRA
hinge
Espessa lâmina dorsal sob os umbos dos bivalves, onde se inserem os dentes e fossetas. Permite a articulação das valvas como uma dobradiça.
CHECKLIST
Lista taxonômica organizada das espécies de uma dada região, habitat ou grupo. Ferramenta fundamental em inventários faunísticos.
CICATRIZ
scar
Em bivalves, impressão deixada no interior da concha pela inserção dos músculos adutores. Também designa marca de fratura reparada pelo animal.
CINTO
girdle
Tecido muscular flexível, no qual se inserem as oito placas que formam a concha dos Polyplacophora (quítons).
CLADE (CLADO)
clade
Grupo monofilético: conjunto formado por um ancestral comum e todos os seus descendentes. Unidade básica da sistemática filogenética.
CLADÍSTICA
cladistics
Método de classificação biológica baseado em relações evolutivas ancestrais-descendentes, reconhecendo apenas grupos monofiléticos.
CLAUSILIUM
clausilium
Pequena peça calcária articulada, ligada por um talo elástico, que fecha a abertura de certos caracóis terrestres da família Clausiliidae.
COI / COX1
Gene mitocondrial que codifica a subunidade 1 da citocromo c oxidase. Amplamente utilizado como marcador molecular em DNA barcoding e análises filogenéticas de moluscos.
COLEÇÃO-TIPO
type collection
Conjunto de espécimes (holótipo, parátipos, síntipos, lectótipo ou neótipo) depositados em uma instituição científica e que servem como referência definitiva para um táxon.
COLUMELA
columella
Coluna central de uma concha gastrópoda, em torno da qual as espiras se organizam, estendendo-se do ápice à base.
COLUMELAR
columellar
Relativo à columela.
COMB. NOV.
Abreviação de combinatio nova (latim, “combinação nova”). Indica que uma espécie foi transferida para outro gênero. Ex.: Vaninia dnophera (Watson, 1879) comb. nov.
CONCHA
shell
Estrutura calcária externa (ou, em alguns grupos, interna ou reduzida) secretada pelo manto e que envolve o corpo da maioria dos moluscos. Composta por três camadas: periostraco, ostraco e hipostraco.
CONCHIFERA
Subfilo de Mollusca que reúne os grupos com concha dorsal unitária ou bivalve (Monoplacophora, Gastropoda, Bivalvia, Scaphopoda e Cephalopoda). Contrasta com Aculifera (Polyplacophora + Aplacophora).
CONCHIOLINA
conchiolin
Matriz orgânica proteica na qual os cristais de carbonato de cálcio são depositados durante a biomineralização. Também chamada conquiolina.
CONQUILIOLOGIA
conchology
Ramo da zoologia dedicado ao estudo das conchas dos moluscos, especialmente de sua morfologia, classificação e distribuição. Historicamente associada à coleção científica amadora; complementar à malacologia.
CONQUILIOLOGISTA
conchologist
Pessoa que estuda ou coleciona conchas; também grafado conchologista ou conquiologista.
CONVERGÊNCIA EVOLUTIVA
convergent evolution
Surgimento independente de características semelhantes em linhagens não diretamente aparentadas, em resposta a pressões seletivas similares. Frequente em moluscos (ex.: formas de concha semelhantes em famílias distintas).
CORDA
cord
Cordão em relevo, grosso, ao redor da espira ou transversal à concha, maior e mais arredondado que uma estria.
CÓRNEA
De textura semelhante à do chifre. Aplicado a opérculos de gastrópodes como Littorina e Murex.
COSTELA
rib
Elevação alongada na superfície da concha, mais larga que um cordão. Pode ser axial (paralela ao eixo) ou espiral (paralela à sutura).
CRIPTOZOICO
cryptozoic
Animal que vive oculto em folhiço, sob troncos caídos, pedras ou em fendas — microhabitats úmidos típicos de muitos gastrópodes terrestres.
DARDO
love dart
Estilete calcário ou quitinoso produzido por glândulas acessórias no sistema reprodutor de helicídeos e gêneros afins. Inserido no parceiro durante a cópula, influencia a recepção de espermatozoides.
DARWIN CORE
Padrão internacional de termos para compartilhamento de dados de biodiversidade, usado pelo GBIF e SiBBr. Define campos como scientificName, eventDate, decimalLatitude, entre outros.
DENTE
tooth
Protuberância na charneira de bivalves, com encaixe na valva oposta; também se aplica a projeções na abertura de algumas conchas gastrópodes.
DENTE CARDINAL
cardinal tooth
Dente principal da charneira dos bivalves, localizado sob o umbo.
DENTE LATERAL
lateral tooth
Dente da charneira situado lateralmente aos cardinais, em bivalves. Na rádula dos gastrópodes, dente intermediário entre o raquidiano e o marginal.
DENTE MARGINAL
marginal tooth
Dente situado na margem externa de cada fileira da rádula.
DENTE RAQUIDIANO
rachidian tooth
Dente central (mediano) de cada fileira da rádula dos gastrópodes. Também chamado dente central.
DESMODONTE
desmodont
Tipo de charneira com dentes derivados do ligamento migrado para o interior da concha. Encontrada em bivalves como Pandora e Myochama.
DEXTRAL
dextral
Concha gastrópoda com espiras enroladas no sentido horário quando vista do ápice, com a abertura à direita quando orientada com o ápice para cima. Condição majoritária em Gastropoda. Sinônimo de dextrogiro.
DEXTROGIRO
dextral
Ver dextral.
DIAFRAGMA
diaphragm
Pequena estrutura anatômica em alguns gastrópodes, através da qual o animal se conecta à concha.
DIMIÁRIO
dimyarian
Bivalve com dois músculos adutores bem desenvolvidos (anterior e posterior), como Mytilus e Anadara. Contrasta com monomiário.
DIMORFISMO ESTACIONAL
seasonal dimorphism
Diferenças morfológicas entre gerações sucessivas da mesma espécie ao longo do ano, que podem assemelhar-se a espécies distintas.
DIMORFISMO SEXUAL
sexual dimorphism
Diferença morfológica entre machos e fêmeas. Pouco evidente na maioria dos moluscos, mais marcado em cefalópodes e em alguns gastrópodes.
DISCOIDAL
discoidal
Concha com espiras enroladas essencialmente em um mesmo plano, dando-lhe forma achatada. Ex.: Planorbis.
DNA BARCODING
Técnica de identificação de espécies por sequenciamento de um gene padrão (em animais, geralmente o COI). Amplamente utilizada em estudos de moluscos para resolver complexos taxonômicos e espécies crípticas.
DOI
Digital Object Identifier — identificador único e permanente atribuído a artigos científicos, que permite citação estável independentemente de mudanças de URL.
DORSAL
dorsal
Relativo ao dorso. Em gastrópodes, é o lado oposto àquele em que a abertura (boca) se encontra.
DULCÍCOLA
freshwater
Que habita águas doces. Usado para moluscos de rios, lagos, riachos e ambientes subterrâneos de água doce, como Pomacea e Biomphalaria.
EIXO
axis
Estrutura central imaginária de uma concha espiral, em torno da qual as voltas são construídas. O mesmo que pilar ou columela.
ENDÊMICO
endemic
Nativo e restrito a uma área geográfica específica (um país, bioma, ilha ou localidade). Diversos moluscos brasileiros são endêmicos da Mata Atlântica ou do Cerrado.
EPÍFRAGMA
epiphragm
Membrana mucosa, por vezes calcificada, secretada por gastrópodes terrestres para fechar a abertura durante períodos de estivação ou hibernação, reduzindo a perda de água.
EPÍGEO
epigean
Que vive na superfície do solo, em contraposição a hipógeo (subterrâneo) ou cavernícola.
ESCAFÓPODE
Ver Scaphopoda.
ESCALARIFORME
scalariform
Com espiras separadas e bem marcadas, lembrando os degraus de uma escada-caracol. Padrão anômalo em algumas conchas gastrópodes.
ESCULTURA
sculpture
Conjunto de marcas em relevo na superfície da concha (estrias, costelas, cordões, tubérculos, espinhos). Frequentemente usada como caráter diagnóstico.
ESPÉCIE CRÍPTICA
cryptic species
Espécie morfologicamente indistinguível (ou quase) de outra, mas geneticamente ou reprodutivamente distinta. Frequente em moluscos, revelada por análises moleculares.
ESPÉCIE-TIPO
type species
Espécie designada como referência para um gênero, fixando a aplicação do nome genérico. Em Vaninia Simone & Dornellas, 2025, a espécie-tipo é Margarites imperialis Simone & Birman, 2006.
ESPESSURA
thickness
Em bivalves, distância entre as valvas quando fechadas; em gastrópodes, espessura da parede da concha.
ESPINHO
spine
Elevação pontiaguda na superfície da concha, característica de famílias como Muricidae e Spondylidae.
ESPINIFORME
spiniform
Em forma de espinho.
ESPIRA
spire
Conjunto das voltas de uma concha gastrópoda acima da última volta (última volta ou body whorl).
ESTIVAÇÃO
aestivation
Estado de dormência durante períodos quentes e secos. Em gastrópodes terrestres, frequentemente associado à secreção de um epífragma.
ESTILOMATÓFORO
stylommatophoran
Gastrópode pulmonado com olhos no ápice dos tentáculos superiores, retráteis por invaginação (ordem Stylommatophora). Inclui a maior parte dos caracóis e lesmas terrestres.
ESTRIA
stria
Fina linha incisa ou em leve relevo sobre a superfície da concha, em diversas direções. Mais delicada que um cordão.
ETIMOLOGIA
etymology
Em taxonomia, seção da descrição original em que o autor explica o significado e a origem do nome proposto. Ex.: calida, do latim “quente”, em alusão à caverna Água Quente, localidade-tipo de Caerbannogia calida.
EULAMELIBRÂNQUIO
Ordem histórica da classe Bivalvia, caracterizada por brânquias completamente fundidas (eulamelibrânquias). Tratamento abandonado em classificações filogenéticas modernas.
FALCIFORME
falciform
Em forma de foice.
FAMÍLIA-TIPO
type family
Família à qual pertence o gênero que dá nome a uma superfamília ou categoria superior.
FASCICULADO
fasciculate
Arranjado em feixes ou cachos. Ex.: certas ornamentações próximas à sutura em gastrópodes.
FAVEOLADO
faveolate
Com depressões poligonais, lembrando favos de colmeia.
FENDA
slit
Incisão na margem externa da abertura de alguns gastrópodes (ex.: Pleurotomariidae); em bivalves, qualquer abertura entre as valvas quando fechadas.
FILAMENTOSO
filamentous
Terminado ou coberto por estruturas delgadas e alongadas, semelhantes a fios.
FILIBRÂNQUIO
Grupo histórico de bivalves com brânquias filiformes. Termo classificatório desatualizado.
FILOGENIA
phylogeny
História evolutiva de um grupo de organismos, expressa como uma árvore que representa relações de ancestralidade e descendência.
FILOGENIA MOLECULAR
molecular phylogeny
Reconstrução de relações evolutivas a partir de dados de DNA ou proteínas. Padrão atual em estudos taxonômicos de moluscos, frequentemente combinada com morfologia (abordagem integrativa).
FOLHIÇO
leaf litter
Camada de folhas, galhos e matéria orgânica em decomposição sobre o solo das florestas, microhabitat fundamental para micromoluscos terrestres (Scolodontidae, Charopidae, Punctidae).
FRAGMOCONE
phragmocone
Porção câmarada da concha de cefalópodes (extintos ou atuais, como Spirula), dividida por septos. Controla a flutuabilidade por trocas gasosas.
FRATURA
fracture
Ver cicatriz.
FRENTE
Face anterior da concha gastrópoda, na qual se encontra a abertura.
FUSIFORME
fusiform
Em forma de fuso, com extremidades afiladas e região central dilatada. Ex.: Fusinus.
GASTROPODA
Classe do filo Mollusca que reúne caramujos, caracóis, lesmas e búzios. Concha tipicamente univalva e espiralada, embora reduzida ou ausente em muitos grupos. Variações no português: gastrópode, gastrópodo, gasterópode.
GBIF
Global Biodiversity Information Facility — rede internacional de dados de biodiversidade de acesso aberto. No Brasil, os dados são integrados via SiBBr por meio de IPTs institucionais.
GEN. NOV.
Abreviação de genus novum (latim, “gênero novo”). Indica que um gênero está sendo descrito pela primeira vez. Ex.: Caerbannogia Salvador et al., 2025, gen. nov.
GÊNERO-TIPO
type genus
Gênero que dá nome a uma família e serve de referência nomenclatural para ela.
GEOPHILA
Termo clássico que designa o conjunto dos gastrópodes terrestres, hoje reunidos principalmente na ordem Stylommatophora.
GLABRO
glabrous
Liso, sem pelos ou cerdas. Aplicado a conchas cujo periostraco não é peludo nem fibroso.
GLOBOSO
globose
De forma aproximadamente esférica. Sinônimo de globular.
GLOCHIDIA
glochidium
Estágio larval parasita de bivalves dulcícolas da família Unionidae e afins. Fixa-se temporariamente a brânquias ou nadadeiras de peixes hospedeiros.
GÔNADA
gonad
Órgão reprodutor masculino (testículo) ou feminino (ovário). Em moluscos hermafroditas, a gônada é frequentemente uma ovotestis.
GONFOCERAS
Gênero fóssil de cefalópodes do Paleozoico, aparentado dos nautiloides modernos.
GONIÔMETRO
goniometer
Instrumento empregado por Alcide d’Orbigny para medir ângulos espirais de conchas. Posteriormente substituído pelo helicômetro.
GRANULADO
granulate
Coberto por pequenos grânulos ou tubérculos arredondados.
GYMNOGLOSSA
Termo histórico aplicado a gastrópodes sem maxila e sem rádula, em geral parasitas de equinodermos. Inclui famílias como Eulimidae e Pyramidellidae.
HADAL
hadal
Zona oceânica mais profunda, abaixo de aproximadamente 6.000 m, correspondente às fossas oceânicas.
HELICAL
helical
Enrolado em espiral, que segue o curso de uma hélice tridimensional.
HELICIFORME
heliciform
Em forma de parafuso ou rosca.
HELICÔMETRO
heliconometer
Instrumento empregado para medir ângulos espirais de conchas, sucessor do goniômetro.
HERMAFRODITA
hermaphrodite
Indivíduo que possui tanto órgãos reprodutores masculinos quanto femininos. Condição comum em gastrópodes pulmonados, opistobrânquios e alguns bivalves.
HETEROBRANCHIA
Subclasse moderna de Gastropoda que reúne os antigos grupos “Opisthobranchia” e “Pulmonata”, além de linhagens basais. Caracterizada por características da rádula, sistema nervoso e desenvolvimento.
HETERODONTE
heterodont
Charneira de bivalves com dentes cardinais diferenciados de dentes laterais. Padrão dominante em bivalves modernos como Venus e Anomalocardia.
HÍBRIDO
hybrid
Indivíduo produzido pelo cruzamento entre espécies distintas. Raro em moluscos, com exemplos documentados em alguns Patella.
HIDRÓFANO
hydrophanous
Que fica transparente quando imerso em água.
HIGRÓFILO
hygrophilous
Que depende de alta umidade para viver. Caráter comum em gastrópodes terrestres tropicais de folhiço.
HIPÓGEO
hypogean
Que vive em ambientes subterrâneos (solo profundo, cavernas, aquíferos). Ver também troglóbio, troglófilo.
HOLÓTIPO
holotype
Exemplar único, designado pelo autor da descrição original, que serve como referência definitiva e permanente para um táxon. Depositado em uma coleção de acesso público.
HOLOSTOMA
holostomatous
Concha cuja abertura é arredondada ou contínua, sem canal sifonal nem entalhe. Ex.: Turbo, Turritella.
HOMOLOGIA
homology
Correspondência evolutiva entre estruturas derivadas de um ancestral comum, mesmo quando desempenham funções distintas.
HOMONÍMIA
homonymy
Situação em que o mesmo nome científico foi proposto independentemente para táxons distintos. O homônimo sênior (mais antigo) tem prioridade; o júnior deve ser substituído.
HOMOPLASIA
homoplasy
Semelhança entre estruturas ou caracteres que não resulta de ancestralidade comum, mas de convergência, reversão ou paralelismo.
HYPOSTRACUM
Camada mais interna da concha, secretada pelo manto, composta essencialmente de aragonita e conchiolina. Também grafado hipostraco.
ICZN
International Code of Zoological Nomenclature (Código Internacional de Nomenclatura Zoológica) — conjunto de regras que governa a formação, aplicação e estabilidade dos nomes científicos dos animais, incluindo moluscos.
IMBRICADO
imbricate
Composto por lâminas ou escamas sobrepostas, como telhas em um telhado. Ex.: ornamentação de Tridacna squamosa.
IMPERFURADO
Ver anônfalo.
INCERTAE SEDIS
Expressão latina (“de posição incerta”) usada em taxonomia para indicar que a posição sistemática de um táxon é indeterminada. Ex.: Helicina incertae sedis.
INCRUSTAÇÃO
incrustation
Cobertura ou depósito de matéria calcária ou outros materiais sobre a concha, por vezes formada por outros organismos (epibiontes).
INEQUIVALVE
inequivalve
Concha bivalve cujas duas valvas têm formas diferentes. Ex.: Pecten, Corbula.
INOPERCULADO
inoperculate
Gastrópode que não possui opérculo. Ex.: Cypraeidae, Olividae, todos os Pulmonata.
INVENTÁRIO FAUNÍSTICO
faunal inventory
Levantamento sistemático das espécies que ocorrem em uma área ou habitat. Produto típico: uma checklist regional.
INVOLUTA
involute
Concha cuja última volta envolve completamente as anteriores, escondendo-as. Ex.: Cypraeidae.
IRIDESCENTE
iridescent
Que exibe cores variadas pela difração ou interferência da luz nas camadas finas do nácar. Ex.: Haliotis.
LABIAL
labial
Relativo ao lábio da abertura da concha gastrópoda.
LÁBIO
lip
Margem da abertura da concha gastrópoda. O labrum (lábio externo) é a borda externa; o labium (lábio interno), a borda junto à columela.
LAMELA
lamella
Fina placa ou projeção em relevo sobre a concha; em gastrópodes, projeção axial no interior do lábio externo.
LAMELADO
lamellate
Coberto por lamelas, escamas ou finas placas.
LAMELLIBRANCHIA
Nome clássico alternativo para a classe Bivalvia, hoje em desuso formal.
LARGURA
width
Medida transversal da concha. Em gastrópodes, corresponde ao diâmetro máximo; em bivalves, à maior distância entre as bordas antero-posteriores.
LECTÓTIPO
lectotype
Exemplar escolhido posteriormente, dentre uma série de síntipos, para servir como tipo-nome único e fixar a aplicação do nome científico.
LESMA
slug
Nome vulgar dos gastrópodes terrestres desprovidos de concha visível ou com concha muito reduzida e interna. Inclui representantes de várias famílias (Veronicellidae, Limacidae, Philomycidae, entre outras).
LIGAMENTO
ligament
Estrutura elástica, não calcificada, que une as duas valvas dos bivalves. Atua em oposição aos músculos adutores, abrindo a concha quando estes relaxam.
LINHAS DE CRESCIMENTO
growth lines
Marcas na superfície da concha que denotam períodos sucessivos de crescimento, alternando fases de atividade e repouso. A mais simples ornamentação de uma concha.
LITORAL
littoral
Zona costeira entre a linha de maré alta e o limite da plataforma continental rasa. Subdivide-se em supralitoral, entre-marés (mesolitoral) e infralitoral.
LOCALIDADE-TIPO
type locality
Local geográfico onde foi coletado o tipo-nome (holótipo, lectótipo ou neótipo) de uma espécie. Registro obrigatório na descrição original. Ex.: Caverna Água Quente, Iporanga, SP, é a localidade-tipo de Caerbannogia calida.
LOJA
chamber
Cada uma das câmaras internas separadas por septos em conchas de cefalópodes.
LONGITUDINAL
longitudinal
Relativo à maior dimensão da concha; paralelo ao comprimento.
LSID
Life Science Identifier — identificador único e permanente usado pelo ZooBank para registrar atos nomenclaturais. Obrigatório para descrições de novos táxons publicadas em formato eletrônico.
MACROMOLUSCO
macromollusk
Molusco com concha de tamanho relativamente grande (geralmente >5 mm), facilmente visível e coletável sem triagem fina. Oposto de micromolusco.
MADREPÉROLA
mother-of-pearl
Material brilhante e iridescente da camada interna de muitas conchas. Composto por lamelas finíssimas de aragonita e conchiolina. Sinônimo de nácar.
MALACOFAUNA
malacofauna
Conjunto das espécies de moluscos de uma determinada área, habitat ou período geológico.
MALACOLOGIA
malacology
Ramo da zoologia dedicado ao estudo dos moluscos, incluindo anatomia, fisiologia, ecologia, biogeografia e sistemática. Complementa a conquiliologia (foco nas conchas).
MANTO
mantle
Órgão fundamental dos moluscos, responsável pela secreção da concha e pela delimitação da cavidade palial, onde se alojam brânquias, sifões e aberturas dos sistemas excretor e reprodutor.
MARGEM CARDINAL
cardinal margin
Região da concha bivalve onde se situa a charneira, com dentes cardinais e respectivas fossetas.
MELANISMO
melanism
Ocorrência de coloração anormalmente escura em uma concha ou organismo.
MELANÍSTICO
melanistic
Que apresenta melanismo.
MEXILHÃO
mussel
Nome vulgar de bivalves da família Mytilidae, em especial do gênero Mytilus e, no Brasil, Perna. Aplicado também a bivalves dulcícolas de água doce.
MICRO-CT
Microtomografia computadorizada por raios X. Permite reconstruir em três dimensões a anatomia interna de moluscos sem dissecação destrutiva. Empregada, por exemplo, na redescrição anatômica de Drymaeus magus (Rosa et al., 2025).
MICROMOLUSCO
micromollusk
Molusco com concha de tamanho reduzido (geralmente <5 mm). Exige triagem fina de folhiço ou sedimento para detecção. Inclui famílias como Scolodontidae, Charopidae, Truncatellidae.
MITILICULTURA
mytiliculture
Cultivo comercial de mexilhões (gênero Mytilus e, no Brasil, Perna perna).
MOLUSCO
mollusk
Animal invertebrado, de corpo mole, não segmentado, celomado, em geral protegido por uma concha calcária secretada pelo manto. Pertence ao filo Mollusca.
MONOFILÉTICO
monophyletic
Grupo constituído por um ancestral e todos os seus descendentes. Único tipo de agrupamento aceito em classificação cladística.
MONOMIÁRIO
monomyarian
Bivalve com apenas um músculo adutor funcional, geralmente grande e central. Ex.: Pecten, Ostrea.
MONOPLACOPHORA
Classe pequena e primitiva do filo Mollusca, com concha formada por uma única placa achatada. Poucas espécies conhecidas, todas marinhas e de águas profundas. Consideradas “fósseis vivos”.
MORFOTIPO
morphotype
Conjunto de indivíduos que compartilham um padrão morfológico distintivo dentro de uma espécie, sem constituir subespécie formal. Drymaeus magus apresenta, por exemplo, um morfotipo típico e outro de bandas avermelhadas.
OCTOPODA
Ordem de cefalópodes que inclui polvos e argonautas. Possuem oito braços e, em geral, ausência de concha externa.
ODONTÓFORO
odontophore
Estrutura muscular e cartilaginosa da boca dos moluscos que sustenta a rádula. Ver rádula.
OPERCULADO
operculate
Gastrópode que possui opérculo.
OPÉRCULO
operculum
Peça calcária, córnea ou córneo-calcária que fecha a abertura da concha gastrópoda quando o animal se retrai. Ausente em várias famílias, como Cypraeidae, Olividae e Pulmonata.
OSTRA
oyster
Bivalve das famílias Ostreidae e Gryphaeidae, de concha irregular, frequentemente explorado comercialmente.
OTOCONO
otocone
Pequenos grânulos minerais no estatocisto, sensores de equilíbrio em moluscos.
OVOVIVÍPARO
ovoviviparous
Que produz ovos que eclodem dentro do corpo materno, saindo os jovens já formados. Ocorre em vários gastrópodes terrestres, como Pomacea (ovípara) e Viviparidae (ovovivíparos).
PALIAL
pallial
Relativo ao manto; de pallium, latim.
PARÁTIPO
paratype
Exemplar da série-tipo original, diferente do holótipo, citado na descrição original como parte da base material do táxon.
PATELLOGASTROPODA
Subclasse de Gastropoda que reúne as lapas (Patella, Lottia e outros). Formam o grupo considerado mais basal dos gastrópodes vivos.
PELECYPODA
Nome clássico alternativo para a classe Bivalvia, em referência ao pé em forma de machado. Em desuso formal; retido apenas em literatura histórica.
PERIOSTRACO
periostracum
Camada externa, orgânica, da concha dos moluscos, composta de conchiolina. Varia em cor, espessura e textura. Protege as camadas calcárias da dissolução em águas ácidas. Também grafado periostracum.
PERISTOMA
peristome
Borda completa da abertura da concha gastrópoda. Pode ser simples, expandido ou refletido, caráter diagnóstico importante em muitos grupos de caracóis terrestres.
PÉROLA
pearl
Secreção de nácar depositada sobre um corpo estranho no interior do manto de bivalves. Produzida por reação de defesa e acumulação em camadas concêntricas.
PIGMENTAÇÃO
pigmentation
Coloração do animal e da concha, determinada por pigmentos depositados pelo manto. Influenciada pela dieta, temperatura e genética.
PILOSA
pilose
Concha coberta por pelos do periostraco. Comum em várias famílias de caramujos terrestres.
PLACAS
plates
Em Polyplacophora, as oito peças calcárias dorsais articuladas que compõem a concha.
PLICA
plica
Prega ou dobra, geralmente aplicada à columela ou à parte interna da abertura.
POLYPLACOPHORA
Classe do filo Mollusca cujos animais (quítons) apresentam concha formada por oito placas transversais dorsais articuladas.
PREGA
fold
Dobra ou elevação arredondada na superfície da concha.
PROBÓSCIDE
proboscis
Projeção tubular contendo a boca, extensível e retrátil, presente em muitos caenogastrópodes predadores (Neogastropoda).
PROSOBRANCHIA
Designação histórica de uma “subclasse” que agrupava a maioria dos gastrópodes marinhos com brânquias anteriores ao coração. Hoje reconhecida como parafilética e formalmente abandonada na classificação moderna, que adota Patellogastropoda, Vetigastropoda, Neritimorpha e Caenogastropoda como subclasses distintas.
PROTOCONCHA
protoconch
Primeira porção da concha gastrópoda, formada durante a fase embrionária ou larval. Apresenta, em geral, ornamentação distinta da concha adulta (teleoconcha) e é caráter diagnóstico importante.
PULMONATA
Grupo histórico de gastrópodes heterobrânquios com pulmão em vez de brânquias. Hoje reconhecido como parte de Eupulmonata + Hygrophila em Heterobranchia. Inclui a maior parte dos caracóis terrestres e vários caramujos de água doce.
PUPIFORME
pupiform
Concha cilíndrica ou oval alongada, lembrando uma pupa de inseto. Típica de famílias como Pupillidae e Vertiginidae.
SAMBAQUI
Do tupi tamba (concha) e ki (amontoado). Sítios arqueológicos costeiros formados por acúmulos de conchas — em especial de Anomalocardia brasiliana (Gmelin, 1791) — e outros restos orgânicos depositados por populações pré-coloniais. No Brasil, os mais antigos datam de cerca de 8.000 anos; alguns, em Santa Catarina, ultrapassam 30 m de altura. Sinônimo: casqueiro.
SAXÍCOLA
saxicolous
Que vive sobre rochas. Vários gastrópodes terrestres brasileiros são saxícolas de afloramentos calcários, como certos Bulimulidae do vale do Ribeira.
SCAPHOPODA
Classe do filo Mollusca exclusivamente marinha, cujas conchas têm forma de pequeno dente de elefante ou presa, abertas nas duas extremidades. Também chamados escafópodes.
SÉPIA
Cefalópode da ordem Sepiida, com concha interna calcária (“osso de siba”) e dez apêndices (oito braços e dois tentáculos).
SERAPILHEIRA
Ver folhiço.
SIBBR
Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira — nó brasileiro do GBIF, coordenado pelo MCTI. Integra dados de coleções e publicações por meio de IPTs (Integrated Publishing Toolkit) institucionais.
SIFÃO
siphon
Extensão tubular do manto pela qual circula a água que entra ou sai da cavidade palial. Pode ser inalante (entrada) ou exalante (saída).
SIFÚNCULO
siphuncle
Tubo que atravessa os septos internos das conchas de nautiloides e amonitas, regulando a quantidade de gás e líquido nas câmaras e, consequentemente, a flutuabilidade.
SIMÉTRICO
symmetrical
Com lados iguais em relação a um plano de simetria.
SIMPÁTRICO
sympatric
Diz-se de espécies ou populações que ocorrem na mesma região geográfica. Contraste com alopátrico.
SINAPOMORFIA
synapomorphy
Caráter derivado compartilhado por dois ou mais táxons a partir de um ancestral comum exclusivo. Evidência fundamental de monofilia.
SINISTRAL
sinistral
Concha gastrópoda com espiras enroladas no sentido anti-horário, com a abertura à esquerda quando orientada com o ápice para cima. Minoritário em Gastropoda, mas fixo em alguns gêneros e famílias (ex.: Clausilia).
SÍNTIPO
syntype
Cada um dos vários exemplares que compõem a série-tipo de uma espécie, quando o autor não designou holótipo. Lectótipos podem ser designados posteriormente dentre os síntipos.
SINÔNIMO
synonym
Um de dois ou mais nomes científicos aplicados ao mesmo táxon. O sinônimo mais antigo (sênior) tem prioridade; os posteriores (júnior) tornam-se inválidos.
SINONIMIZAÇÃO
synonymization
Ato nomenclatural pelo qual dois ou mais nomes são reconhecidos como referindo-se a um mesmo táxon, passando o mais recente à condição de sinônimo júnior.
SP. NOV.
Abreviação de species nova (latim, “espécie nova”). Indica que uma espécie está sendo descrita pela primeira vez. Ex.: Vaninia vanini sp. nov.
STAT. NOV.
Abreviação de status novus — mudança de nível taxonômico de um nome, por exemplo elevando subespécie a espécie.
STYGOBIONTE
stygobite
Organismo aquático estritamente subterrâneo, geralmente com adaptações como despigmentação e redução ocular. Aplicado a moluscos de aquíferos e rios cavernícolas.
STYLOMMATOPHORA
Ordem de gastrópodes pulmonados terrestres com olhos no ápice dos tentáculos posteriores. Inclui a maior parte dos caracóis e lesmas terrestres, com famílias como Bulimulidae, Scolodontidae, Eucalodiidae, Achatinidae e Helicidae.
SUBESPÉCIE
subspecies
Táxon subordinado à espécie, designando populações geograficamente distintas que, no entanto, ainda podem cruzar-se com outras da mesma espécie. Grafado com trinômio: Espécie espécie subespécie.
SUTURA
suture
Linha de junção entre duas voltas sucessivas da espira de uma concha gastrópoda.
TALUDE CONTINENTAL
continental slope
Zona submarina que marca a transição entre a plataforma continental (rasa) e a planície abissal, geralmente entre 200 e 3.000 m de profundidade. Habitat dos gastrópodes do gênero Vaninia, recentemente descrito para o Atlântico Sul-Ocidental.
TAXODONTE
taxodont
Charneira de bivalve com muitos dentes pequenos, semelhantes, dispostos em fileira. Típica de Arca, Nucula e afins.
TAXONOMIA
taxonomy
Ciência da classificação dos seres vivos. Envolve descrição, nomeação e agrupamento de táxons segundo critérios morfológicos, moleculares e filogenéticos.
TEGUMENTO
tegument
Cobertura externa do corpo do animal. Em Polyplacophora, frequentemente coberto por cutícula espinhosa; nos demais moluscos, pele ciliada entre o manto e a concha.
TELEOCONCHA
teleoconch
Porção da concha gastrópoda formada após a fase embrionária/larval, a partir do limite da protoconcha até a última volta.
TEREDO
Gênero de bivalves (família Teredinidae) perfuradores de madeira submersa. Popularmente conhecidos como “turu”; historicamente danosos a cascos de navios.
TERRÍCOLA
terricolous
Que vive sobre ou dentro do solo. Aplicado a gastrópodes de folhiço, como a maioria dos Scolodontidae.
TOPÓTIPO
topotype
Exemplar coletado na mesma localidade-tipo de uma espécie, em geral útil para estudos comparativos, ainda que sem o estatuto formal de tipo-nome.
TRICUSPIDADO
tricuspid
Dente radular com três cúspides ou pontas. Caráter diagnóstico, por exemplo, em Drymaeus magus.
TROGLÓBIO
troglobite
Organismo estritamente cavernícola, com adaptações evolutivas à vida subterrânea permanente (despigmentação, redução ocular, alongamento de apêndices).
TROGLÓFILO
troglophile
Organismo que completa o ciclo de vida em cavernas, mas também pode sobreviver no ambiente externo. Caso de Caerbannogia calida.
TROGLÓXENO
trogloxene
Organismo que utiliza cavernas ocasional ou temporariamente, sem completar seu ciclo biológico no ambiente subterrâneo.
Em trabalhos taxonômicos, os exemplares examinados são sempre citados com a sigla
da instituição depositária. Conhecê-las é essencial para rastrear material-tipo,
solicitar empréstimos e avaliar a solidez da evidência material de uma descrição.
MZSP / MZUSP
Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo — principal coleção malacológica do Brasil; alberga tipos de L. R. L. Simone e colaboradores.
MNRJ
Museu Nacional / Universidade Federal do Rio de Janeiro — coleção histórica atingida pelo incêndio de 2018; parcela da coleção malacológica foi preservada.
MORG
Museu Oceanográfico Prof. Eliézer de Carvalho Rios — Fundação Universidade Federal do Rio Grande (FURG), Rio Grande/RS. Uma das maiores coleções de conchas da América Latina.
MCP
Museu de Ciências e Tecnologia da PUCRS, Porto Alegre/RS.
MCN
Museu de Ciências Naturais (Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul).
MHNCI
Museu de História Natural Capão da Imbuia — Curitiba/PR; relevante coleção de moluscos terrestres e dulcícolas do sul do Brasil.
MPEG
Museu Paraense Emílio Goeldi, Belém/PA — coleções amazônicas.
MBML
Museu de Biologia Prof. Mello Leitão — Santa Teresa/ES.
DZUP
Coleção de Zoologia da Universidade Federal do Paraná, Curitiba/PR.
IBSP
Instituto Butantan, São Paulo/SP — inclui coleção de moluscos de interesse médico.
UFMG
Coleção de Malacologia da Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte/MG.
UFRPE
Coleção malacológica da Universidade Federal Rural de Pernambuco.
IOC-FIOCRUZ
Instituto Oswaldo Cruz / Fundação Oswaldo Cruz — coleção de moluscos vetores (especialmente Biomphalaria).
NHMUK
Natural History Museum, Londres — Reino Unido. Sucessor do antigo British Museum (Natural History); abriga tipos históricos, incluindo material de J. E. Gray, R. B. Watson e L. A. Reeve.
MNHN
Muséum national d’Histoire naturelle, Paris — França. Uma das coleções de moluscos mais antigas e extensas do mundo; abriga tipos de Lamarck, Deshayes, d’Orbigny e Bouchet.
ANSP
Academy of Natural Sciences of Drexel University (antiga Academy of Natural Sciences of Philadelphia) — EUA. Depositária de tipos de H. A. Pilsbry, referência para Bulimulidae e Orthalicoidea.
USNM
National Museum of Natural History, Smithsonian Institution, Washington — EUA. Sigla histórica de United States National Museum.
AMNH
American Museum of Natural History, Nova York — EUA.
MCZ
Museum of Comparative Zoology, Harvard University, Cambridge — EUA. Coleção fundada por Louis Agassiz.
FMNH
Field Museum of Natural History, Chicago — EUA.
FLMNH
Florida Museum of Natural History, Gainesville — EUA; importante coleção de moluscos recentes e fósseis.
CAS
California Academy of Sciences, São Francisco — EUA.
LACM
Natural History Museum of Los Angeles County — EUA.
SMF
Senckenberg Forschungsinstitut und Naturmuseum, Frankfurt — Alemanha.
ZMB
Museum für Naturkunde, Berlim — Alemanha (também citado como MfN); abriga tipos de E. von Martens, J. C. Albers e outros.
ZSM
Zoologische Staatssammlung München — Munique, Alemanha.
NMW / NHMW
Naturhistorisches Museum Wien — Viena, Áustria.
RBINS
Royal Belgian Institute of Natural Sciences — Bruxelas, Bélgica. Abriga trabalhos de A. S. H. Breure sobre Bulimulidae neotropicais.
RMNH / Naturalis
Naturalis Biodiversity Center, Leiden — Países Baixos (antigo Rijksmuseum van Natuurlijke Historie).
MZL
Musée Cantonal de Zoologie — Lausanne, Suíça.
AM
Australian Museum — Sydney, Austrália.
NMNZ / Te Papa
Museum of New Zealand Te Papa Tongarewa — Wellington, Nova Zelândia.
MACN
Museo Argentino de Ciencias Naturales “Bernardino Rivadavia” — Buenos Aires, Argentina.
MNHN-UY
Museo Nacional de Historia Natural — Montevidéu, Uruguai.
MZUC
Museo de Zoología, Universidad de Concepción — Chile.
IES
Instituto de Ecología y Sistemática — Havana, Cuba; referência para Urocoptoidea e Eucalodiidae das Antilhas.
Qual a diferença entre malacologia e conquiliologia?
A malacologia é o estudo integral dos moluscos, incluindo anatomia, fisiologia, ecologia, comportamento e sistemática. A conquiliologia é um ramo mais restrito, dedicado especialmente às conchas — sua morfologia, classificação e distribuição. Historicamente, a conquiliologia nasceu da tradição amadora de colecionar conchas; hoje os dois termos caminham lado a lado.
O que significam as abreviações “gen. nov.”, “sp. nov.” e “comb. nov.”?
São termos latinos da nomenclatura zoológica: gen. nov. (genus novum) indica gênero novo para a ciência; sp. nov. (species nova), espécie nova; comb. nov. (combinatio nova), nova combinação (espécie transferida para outro gênero).
O que são holótipo, parátipo e lectótipo?
São categorias de exemplares-tipo que fixam a aplicação de um nome científico. O holótipo é o exemplar único designado na descrição original; os parátipos são os demais exemplares da série-tipo original; o lectótipo é designado posteriormente, dentre síntipos, quando a descrição original não indicou holótipo.
Por que os nomes científicos são escritos em itálico?
É uma convenção universal da nomenclatura biológica: gênero e espécie são sempre grafados em itálico (ou sublinhados, quando o itálico é indisponível). O gênero recebe inicial maiúscula; o epíteto específico, inicial minúscula. Ex.: Drymaeus magus.
Como saber o nome válido atual de uma espécie?
Consulte bases de dados taxonômicas internacionais: MolluscaBase (molluscabase.org) é a referência central para moluscos, alimentando o WoRMS (marinhas) e o GBIF. No Brasil, o SiBBr agrega ocorrências de coleções nacionais.
O que é uma espécie críptica?
É uma espécie que, morfologicamente, é indistinguível (ou quase) de outra, mas que se diferencia por caracteres genéticos, ecológicos ou reprodutivos. Espécies crípticas são frequentemente reveladas em estudos de filogenia molecular, como o DNA barcoding.
Por que algumas conchas são voltadas para a esquerda (sinistras)?
A maior parte dos gastrópodes apresenta concha dextras (enrolada à direita), mas algumas famílias e gêneros são fixamente sinistras (ex.: Clausiliidae). Indivíduos sinistros em populações majoritariamente dextras são raros e decorrem de mutação no desenvolvimento embrionário.