Projeto Ilhas Oceânicas

GASTRÓPODES TERRESTRES

Moluscos terrestres insulares constituem o grupo animal com as maiores taxas de extinção documentadas na história recente. Selecione, abaixo, o Arquipélago para conhecer mais sobre a fauna endêmica desses Arquipélagos.

Santa Helena

em construção

Galápagos | Equador

em construção

Juan Fernandez | Chile

em construção

Ilha de Páscoa | Chile

em construção

Ilhas Oceânicas Brasileiras

O Brasil possui cinco arquipélagos genuinamente oceânicos: Fernando de Noronha, Trindade e Martim Vanz, Atol das Rocas, São Pedro e São Paulo,e – em zona controversa quanto à classificação – o Arquipélago de Abrolhos. Apenas dois deles têm fauna malacológica terrestre conhecida.

FERNANDO DE NORONHA

Localizado a cerca de 350 km do litoral nordestino, o arquipélago tem quatro espécies de caracóis terrestres registradas: as endêmicas Hyperaulax ridleyi e Ridleya quinquelirata, ambas descritas por E.A. Smith em 1890, e as amplamente distribuídas Beckianum beckianum e Allopeas gracile. Hyperaulax ridleyi é a espécie mais abundante e foi alvo de revisão taxonômica por Salvador & Cavallari em 2019.

TRINDADE E MARTIM VAZ

A 1.140 km da costa do Espírito Santo, o pico do antigo cone vulcânico que forma a Ilha da Trindade abriga uma fauna malacológica peculiar. As espécies endêmicas conhecidas são Bulimulus brunoi, Naesiotus arnaldoi (Bulimulidae), Oxyloma beckeri, Succinea lopesi (Succineidae) e Vegrandinia trindadensis (Subulinidae). Por décadas acreditou-se que estivessem extintas devido à devastação causada por cabras introduzidas; em 2014, uma expedição liderada por Salvador, Simone e colaboradores redescobriu populações vivas de Succinea lopesi e de uma espécie de Happia (esta última, possivelmente invasora) nos picos mais altos da ilha.

Outras Ilhas Oceânicas em foco

Embora o foco histórico do Conchasbrasil seja a fauna brasileira, esta seção também documenta a malacofauna terrestre de outros arquipélagos oceânicos atlânticos e do Pacífico de relevância científica e comparativa:

ATLÂNTICO SUL

SANTA HELENA

Ilha britânica do Atlântico Sul, lar de espécies extintas do gênero Chilonopsis (Achatinidae) e várias Succineidae endêmicas, recentemente revisadas.

ASCENÇÃO

Microfauna pouco documentada, com lacunas significativas no conhecimento atual.

TRISTÃO DA CUNHA

Abriga espécies endêmicas de Balea (Clausiliidae) e Succineidae, em ambiente subantártico.

GOUGH

Integrante administrativo do território de Tristão da Cunha, abriga fauna malacológica peculiar adaptada às condições subantárticas extremas. Patrimônio Mundial da UNESCO, é uma das ilhas oceânicas mais bem preservadas do mundo.

ILHAS MALVINAS (FALKLAND)

Arquipélago subantártico fortemente associado à fauna patagônica; embora estudos malacológicos sistemáticos sejam escassos, a malacofauna terrestre nativa parece extremamente limitada, refletindo as severas condições climáticas e a ausência de cobertura florestal.

GEÓRGIA DO SUL

Ilha subantártica com presença documentada de Notodiscus hookeri (Charopidae), única espécie de caracol terrestre conhecida na ilha — espécie compartilhada com outras ilhas subantárticas como Crozet e Kerguelen. Caso notável de adaptação extrema, com estudos sobre variação morfológica da concha relacionada ao isolamento dos sítios e à disponibilidade de cálcio no solo. Embora rigorosamente classificada como ilha continental, comporta-se biogeograficamente como oceânica devido ao seu extremo isolamento.

PACÍFICO SUL-AMERICANO

JUAN FERNANDEZ (CHILE)

Mundialmente conhecido por inspirar o romance Robinson Crusoé, possui rica fauna endêmica de moluscos terrestres, com representantes únicos de Charopidae, Succineidae e outros grupos. Reserva da Biosfera da UNESCO.

ILHAS DESVENTURADAS (CHILE)

San Félix e San Ambrosio, abrigam Ambrosiella kuscheli e Achatinellidae endêmicas, ainda pouco estudadas.

ILHA DE PÁSCOA (CHILE)

Território chileno na Polinésia oriental, é considerada uma das mais isoladas do mundo. Não possui caracóis terrestres nativos vivos, mas registros subfósseis revelam que abrigou uma fauna malacológica endêmica antes da colonização polinésia (~900–1200 d.C.), extinta junto com a destruição da floresta nativa. Caso paradigmático de extinção antrópica pré-histórica e tema de intensa investigação paleomalacológica.

GALÁPAGOS (EQUADOR)

Talvez o caso mais célebre de evolução insular do planeta. Abriga uma extraordinária radiação adaptativa do gênero Naesiotus (Bulimulidae), com mais de 70 espécies endêmicas distribuídas pelas diferentes ilhas — paralelo malacológico aos famosos tentilhões de Darwin. Muitas espécies enfrentam risco crítico de extinção.

CARIBE E PACÍFICO COLOMBIANO

MALPELO (COLÔMBIA)

Rochedo vulcânico isolado no Pacífico oriental, a cerca de 500 km do litoral colombiano. Apesar das condições áridas extremas, registros indicam presença de microgastrópodes terrestres.

ARQUIPÉLAGO DE SAN ANDRÉS, PROVIDENCIA E SANTA CATALINA (COLÔMBIA)

Grupo de ilhas oceânicas no Caribe ocidental, com fauna malacológica que combina elementos antilhanos e endemismos próprios, especialmente entre Bulimulidae e Urocoptidae.

 

SAIBA MAIS EM:

Revisão global documenta a devastação da fauna de moluscos terrestres em ilhas oceânicas

Vídeos sobre o assunto

A extinção de moluscos terrestres em ilhas oceânicas é considerada uma das maiores crises de biodiversidade do planeta, já que cerca de 70% das extinções documentadas de moluscos ocorrem em ambientes insulares. Abaixo, selecionamos vídeos cientificamente precisos que detalham esse fenômeno em diferentes regiões

Havaí: A Crise das “Joias da Floresta”

O Havaí já abrigou quase 800 espécies de caracóis terrestres nativos, mas estima-se que até 90% dessa diversidade tenha desaparecido devido a predadores invasores e perda de habitat

Polinésia Francesa: O Caso dos Caracóis Partula

Estes caracóis foram levados à beira da extinção pela introdução do caracol carnívoro rosy wolf snail (Euglandina rosea), usado erroneamente para controle biológico.

Outras Ilhas Oceânicas (Madeira e Norfolk)

Os programas de recuperação nas ilhas da Madeira e Norfolk focam na reprodução em cativeiro e no rigoroso controle de predadores invasores, como ratos e cabras. Essas iniciativas buscam estabilizar populações criticamente ameaçadas para permitir a reintrodução segura em seus micro-habitats originais, revertendo décadas de declínio populacional.