Projeto Orthalicoidea
GASTRÓPODES TERRESTRES
Esta seção reúne, em um só lugar, os gastrópodes terrestres da superfamília Orthalicoidea de todo o mundo. Começamos pela América do Sul, onde o grupo tem sua maior diversidade e onde o trabalho do CdB já cobria a quase totalidade das espécies. Agora estamos estendendo o catálogo às demais regiões em que esses animais ocorrem: o México, a América Central, as Antilhas e o sul dos Estados Unidos; a Austrália, a Nova Zelândia, a Nova Caledônia e as ilhas da Melanésia; e a África do Sul.
Orthalicoidea é um dos grupos de moluscos terrestres mais emblemáticos do Neotrópico, e boa parte do que se conhece sobre ele foi construída por pesquisadores que trabalham com a fauna brasileira e andina. Ao mesmo tempo, é um grupo com uma história evolutiva que atravessa oceanos: suas linhagens se separaram quando a América do Sul, a África, a Austrália e a Antártida ainda formavam o supercontinente Gondwana, e os parentes mais próximos de alguns gêneros sul-americanos vivem hoje do outro lado do Pacífico. Entender a fauna brasileira sem olhar para a Austrália ou para as Antilhas é contar só metade da história.
América do Sul
América Central e Caribe
América do Norte
África
Austrália
Pacífico Sul
O que é a superfamília Orthalicoidea
São caracóis pulmonados, em geral de concha alta e cônica ou fusiforme, que vivem sobre a vegetação, na serrapilheira ou em rochas. Alguns são pequenos e discretos; outros, como Orthalicus, Sultana e Liguus, estão entre os caracóis arborícolas mais coloridos das Américas. O grupo inclui também formas de ilhas remotas, como os Naesiotus de Galápagos, os Placostylus da Nova Caledônia e da Nova Zelândia e os Bothriembryon do sudoeste australiano. Ao todo, a superfamília soma mais de duas mil espécies.
A classificação que adotamos é a do MolluscaBase, que reconhece atualmente doze famílias.
O quadro abaixo resume a classificação atual e onde cada família ocorre.
Oito das doze famílias são exclusivamente sul-americanas, e cinco delas são endêmicas do Brasil.
Gondwana e a deriva dos continentes
Um caracol terrestre não atravessa um oceano. Quando encontramos parentes próximos em continentes separados por milhares de quilômetros de mar, a explicação mais simples é que seus ancestrais viviam numa terra contínua que depois se separou. É o caso de Orthalicoidea. A distribuição atual do grupo é um mapa do antigo supercontinente Gondwana, que reunia a América do Sul, a África, a Antártida, a Austrália, a Índia e a Nova Zelândia.
Gondwana começou a se fragmentar há cerca de 180 milhões de anos. A África e a América do Sul se afastaram primeiro, com a abertura do Atlântico Sul concluída há aproximadamente 100 milhões de anos. A Nova Zelândia e a Nova Caledônia se separaram da Austrália por volta de 80 milhões de anos atrás. A América do Sul, a Antártida e a Austrália permaneceram conectadas por muito mais tempo: a ponte pela Antártida, então coberta de florestas temperadas, só se rompeu de vez entre 50 e 35 milhões de anos atrás, quando o continente antártico se isolou e congelou.
A família Bothriembryontidae conserva exatamente esse desenho. Plectostylus e Discoleus vivem no Chile e na Argentina; Bothriembryon, no sudoeste da Austrália; Placostylus e seus parentes, na Nova Zelândia, na Nova Caledônia e nas ilhas da Melanésia; Prestonella, nas montanhas da África do Sul. Durante décadas esses gêneros foram tratados em famílias diferentes, e foi a análise molecular que os reuniu. O trabalho de Breure e Romero, publicado em 2012, mostrou que formam um único ramo e estimou que a linhagem já existia antes da separação final dos continentes austrais.
O quadro não é simples em todos os pontos. A Nova Caledônia e boa parte da Zelândia estiveram submersas por longos períodos, e há quem defenda que Placostylus chegou a algumas ilhas flutuando em vegetação arrastada pelo mar. Mas o padrão geral se mantém: a história de Orthalicoidea é a história das massas de terra do hemisfério sul, e por isso um catálogo do grupo precisa ser mundial para fazer sentido.
As famílias em cada região
O catálogo está dividido por grandes regiões geográficas. Abaixo, as famílias presentes em cada uma e seus gêneros mais característicos.
Como a seção está organizada
Cada espécie tem uma ficha própria, no mesmo modelo que já usamos para a fauna brasileira e sul-americana: nome válido e autoria, sinônimos, localidade-tipo, material-tipo e a instituição que o guarda, distribuição conhecida, referência da descrição original e, sempre que possível, imagens da concha. As fichas estão agrupadas por região e, dentro de cada região, por família e gênero.
As espécies sul-americanas já estavam catalogadas e foram vinculadas a esta seção. As demais regiões estão sendo incorporadas aos poucos, família por família, e as páginas vão sendo publicadas à medida que ficam prontas. Uma ficha ainda ausente significa apenas que não chegamos lá.
Fontes
O ponto de partida é sempre a descrição original de cada espécie. A ela somamos os catálogos de tipos publicados nas últimas duas décadas para as grandes coleções europeias e americanas, as revisões filogenéticas que redesenharam as famílias a partir de 2010 (em especial Breure e Romero, 2012; Salvador e colaboradores, 2023; e Salvador e colaboradores, 2026) e os trabalhos regionais sobre a fauna australiana, neozelandesa e caribenha. Toda ficha indica de onde veio cada informação.
Como contribuir
Um catálogo desse tamanho nunca está terminado. Se você identificar um erro, conhecer um registro de distribuição que não consta da ficha, tiver fotografias de uma espécie ainda sem imagem ou acesso a uma publicação que não conseguimos consultar, escreva para nós.