Como Iniciar e Manter uma Coleção de Conchas – Guia Completo 2026
Por que colecionar conchas?
Colecionar conchas — ou conquiliologia — é um dos hobbies mais antigos da humanidade. Conchas de moluscos fascinam pela extraordinária variedade de formas, cores, texturas e padrões. Cada concha é uma estrutura biomineral construída ao longo de meses ou anos pelo animal que a habitou, e carrega em si informações sobre a espécie, seu habitat e sua história evolutiva.
As maiores e melhores coleções do mundo tiveram seu início nas mãos de colecionadores amadores. Muitas se tornaram tão extensas que acabaram doadas a museus e instituições de pesquisa, onde continuam servindo à ciência. No Brasil, o litoral de mais de 7.000 km abriga uma diversidade impressionante de moluscos — são mais de 3.000 espécies catalogadas, entre marinhas, terrestres e de água doce, muitas delas disponíveis para consulta no Catálogo de Espécies dos Conquiliologistas do Brasil.
Este guia foi escrito para quem deseja iniciar uma coleção de conchas com responsabilidade, ou para quem já coleciona e busca aprimorar sua prática.
Como iniciar sua coleção
A maioria das coleções começa de forma simples: algumas conchas recolhidas na praia durante as férias, um presente de um amigo viajante, ou a visita a um museu de história natural que desperta a curiosidade. Esse início espontâneo é natural e bem-vindo.
Para transformar essa curiosidade em uma coleção organizada, os passos mais importantes são:
1. Busque conhecimento. Procure uma entidade ou clube de conquiliologia — como os Conquiliologistas do Brasil (CdB) — que reúna pessoas com o mesmo interesse. Participar de reuniões, fóruns online e grupos em redes sociais é a maneira mais eficaz de aprender e de encontrar parceiros para trocas e coletas.
2. Adquira literatura de referência. Um bom livro de identificação é a ferramenta mais importante do colecionador. Para espécies brasileiras, a referência fundamental é o Compendium of Brazilian Sea Shells (Rios, 2009). Para espécies de outras regiões, existem guias especializados por família ou por área geográfica. Hoje, bases de dados online como o MolluscaBase ou WoRMS complementam os livros com nomenclatura sempre atualizada.
3. Aprenda a coletar com responsabilidade. Antes de sair coletando, informe-se sobre a legislação ambiental vigente (veja a seção específica mais adiante). A regra de ouro é: colete apenas o necessário — um ou dois exemplares por espécie — e prefira sempre conchas vazias (mortas) encontradas nas praias.
4. Comece pelo que está perto de você. Explore as praias da sua região. Identifique as espécies mais comuns. Aprenda a reconhecer as famílias. Familiarize-se com espécies como os bivalves da família Veneridae, os gastrópodes da família Olividae e os onipresentes Nassariidae.
5. Expanda seus horizontes. Com o tempo, você pode trocar material com colecionadores de outras regiões e países. A permuta (troca) é uma das práticas mais tradicionais e econômicas da conquiliologia, e permite construir uma coleção diversificada sem grandes investimentos.
Tipos de coleção
Não existe um único modo de colecionar conchas. Cada colecionador desenvolve um estilo próprio, de acordo com seus interesses. Entre os tipos mais comuns:
Coleção geral. O colecionador reúne exemplares de diversas famílias e regiões, buscando representar a maior diversidade possível. É o tipo mais comum entre iniciantes.
Coleção temática. Focada em um grupo específico — uma família (como Conidae, Cypraeidae ou Muricidae), um gênero, ou mesmo um tema visual (conchas brancas, sinistras, albinas, operculadas).
Coleção regional. Reúne espécies de uma área geográfica específica, como o litoral brasileiro, o Caribe, ou o Indo-Pacífico. Uma coleção de gastrópodes marinhos do Brasil ou de bivalves marinhos brasileiros é um excelente projeto de longo prazo.
Coleção de microconchas. Moluscos com conchas menores que 5 mm formam um mundo à parte, com formas e esculturas que só podem ser apreciadas sob lupa ou microscópio. Famílias como Pyramidellidae e Triphoridae são especialmente ricas no litoral brasileiro.
Coleção científica (de referência). Organizada por lotes — múltiplos exemplares de uma mesma espécie provenientes de diferentes localidades —, permite estudar a variação geográfica. Em coleções úmidas, o animal inteiro é preservado em álcool para estudos anatômicos e moleculares.
Coleta responsável e legislação brasileira
Atenção
A informação a seguir tem caráter orientativo. Consulte sempre a legislação vigente junto ao ICMBio/IBAMA e aos órgãos ambientais estaduais antes de realizar qualquer coleta.
No Brasil, a coleta de moluscos vivos na natureza — seja em ambiente marinho, terrestre ou de água doce — requer autorização do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), por meio do Sistema de Autorização e Informação em Biodiversidade (SISBIO). Essa exigência se aplica a coletas com finalidade científica ou educacional.
Para o colecionador amador, as orientações fundamentais são:
Conchas vazias em praias. A coleta de conchas mortas (vazias) encontradas em praias públicas, para fins pessoais e em pequenas quantidades, é geralmente tolerada. No entanto, é importante verificar se a praia está dentro de uma Unidade de Conservação (como Parques Nacionais, Reservas Biológicas ou APAs), onde as regras podem ser mais restritivas.
Animais vivos. A coleta de animais vivos sem autorização é considerada infração ambiental pela Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998). Coletar, transportar ou comercializar espécies da fauna silvestre sem autorização pode resultar em multas e apreensão do material.
Espécies ameaçadas e protegidas. Algumas espécies possuem proteção especial. Titanostrombus goliath (Strombidae), por exemplo, é endêmica do Nordeste do Brasil e tem coleta restrita por legislação estadual. Espécies listadas no CITES (como Eustrombus gigas, o lambis-rosa) não podem ser comercializadas internacionalmente sem documentação.
Boas práticas de coleta. Mesmo quando a coleta é permitida, adote uma postura ética: colete apenas o que for necessário para a sua coleção (um ou dois exemplares por espécie), nunca colete fêmeas com desovas, devolva pedras e substratos às suas posições originais, e evite coletar espécies que pareçam pouco abundantes no local.
Como limpar e conservar conchas
Limpeza
A limpeza adequada é o primeiro passo para preservar uma concha. Os métodos variam conforme o estado do material:
Conchas com animal. A melhor forma de remover o animal é o congelamento: coloque a concha em um saco plástico com água e leve ao freezer por 48 a 72 horas. Depois, descongele lentamente e remova o animal com um gancho ou pinça. Esse método preserva melhor a concha do que a fervura, que pode causar trincas e descoloração. Após a remoção do animal, lave com água e escova macia.
Conchas vazias com incrustações. Deposição de algas calcárias, cracas e outros organismos pode ser removida mecanicamente (com palitos, pinças ou escovas de dente) ou quimicamente (imersão breve em ácido muriático diluído — 1 parte de ácido para 10 de água). Atenção: o ácido dissolve o calcário da concha; use com extrema cautela, por poucos segundos, e enxágue abundantemente. Nunca use ácido em conchas com perióstraco ou com camada nacarada exposta.
Conchas com perióstraco. O perióstraco (camada orgânica externa) é uma característica da espécie e deve ser preservado sempre que possível. Limpe apenas com água e escova macia.
Conservação
Após a limpeza, a conservação adequada garantirá que suas conchas se mantenham em bom estado por décadas:
Proteção contra luz. A luz solar direta é o maior inimigo das cores das conchas. A exposição prolongada provoca descoloramento irreversível. Mantenha a coleção em armários fechados ou gavetas.
Proteção contra umidade e poeira. A poeira acumulada, combinada com umidade, pode favorecer o aparecimento de fungos e a produção de ácidos que corroem o calcário da concha.
Doença de Byne. Certos materiais (espumas de poliuretano, madeiras como carvalho e cedro, papelão ácido) liberam vapores que reagem com o carbonato de cálcio da concha, produzindo eflorescências brancas e pulverulentas. Esse fenômeno, conhecido como “doença de Byne” (Byne’s disease), é irreversível. Use materiais inertes para armazenamento: caixas de polipropileno, espuma de polietileno (Plastazote) ou papel livre de ácido.
Óleo mineral. Uma fina camada de óleo mineral (vaselina líquida) pode ser aplicada em conchas que perderam o brilho natural, acentuando as cores. Use com moderação e evite em conchas com perióstraco.
Como organizar e armazenar
A organização é tão importante quanto a coleção em si. Uma coleção bem organizada é mais útil, mais bonita e mais fácil de manter.
Armários e gavetas. O sistema mais tradicional e eficiente utiliza armários com gavetas rasas (5–10 cm de altura), onde as conchas são dispostas em caixas individuais. Gavetas de madeira revestida com fórmica ou MDF laminado são preferíveis à madeira crua (que pode liberar vapores ácidos).
Caixas e divisórias. Use caixas de acrílico, polipropileno ou papelão livre de ácido para separar os lotes dentro das gavetas. Para microconchas, existem caixas de acrílico com tampa — algumas com lente de aumento acoplada. Uma alternativa econômica são caixas de comprimidos ou de artesanato (tipo bead boxes).
Ordem de organização. A prática mais comum é organizar por ordem taxonômica: classe → ordem → família → gênero → espécie. Dentro de cada família, organize as espécies em ordem alfabética ou filogenética. O catálogo do CdB, organizado por famílias como Volutidae, Pectinidae ou Strombidae, pode servir como guia para essa organização.
Peças grandes. Conchas grandes (volutas, cassídeos, estrombídeos, tonnídeos) ocupam muito espaço em gavetas. Muitos colecionadores mantêm essas peças em prateleiras, vitrines ou estantes, separadas da coleção principal.
Registro e catalogação
Uma concha sem dados é apenas um objeto decorativo. O que transforma uma concha em peça de coleção é a informação associada a ela. Um bom registro deve incluir:
| Campo | Descrição | Exemplo |
|---|---|---|
| Nº de registro | Número sequencial único | CdB-0247 |
| Família | Família taxonômica | Volutidae |
| Espécie | Nome científico completo | Adelomelon beckii (Broderip, 1836) |
| Localidade | Local de coleta (o mais preciso possível) | Praia do Cassino, Rio Grande, RS, Brasil |
| Data de coleta | Data em que o exemplar foi coletado | 15/03/2024 |
| Coletor | Nome de quem coletou | M. Silva |
| Profundidade | Em metros (para espécies marinhas) | Praia (0 m) / Dragado a 120 m |
| Tamanho | Comprimento máximo em mm | 187,3 mm |
| Condição | Estado de conservação (escala de qualidade) | F++ (viva coletada) |
| Origem | Como foi obtida | Coleta própria / Troca / Compra |
| Observações | Informações adicionais | Subproduto de pesca de arrasto. Opérculo presente. |
Métodos de registro
Marcação na concha. O número de registro pode ser marcado diretamente na concha com tinta nanquim (aplicada com caneta de ponta fina sobre uma pequena base de esmalte branco). Esse método é utilizado em museus e permite identificar rapidamente conchas que se misturaram.
Etiquetas. Uma etiqueta impressa ou manuscrita colocada junto à concha é a forma mais prática de visualização rápida. Deve conter no mínimo: número de registro, nome científico e localidade.
Banco de dados digital. Hoje, a maioria dos colecionadores utiliza planilhas eletrônicas (Excel, Google Sheets) ou bancos de dados (Access, Airtable, FileMaker) para registrar suas coleções. As vantagens são enormes: busca instantânea, geração automática de etiquetas, inclusão de fotografias, exportação de listagens e backup em nuvem.
Dica
A combinação ideal é usar marcação na concha + etiqueta física + banco de dados digital. Assim, mesmo que a concha se separe da etiqueta, o número marcado permite rastrear todas as informações no banco de dados.
Escala de qualidade
A avaliação da qualidade de uma concha segue uma escala padronizada, utilizada internacionalmente por colecionadores e comerciantes. Embora subjetiva, essa escala é um indicador útil:
| Grau | Descrição |
|---|---|
| Gem (G) | Concha perfeita. Sem nenhum defeito visível — sem partes quebradas, sem cicatrizes, sem erosão. Cores intensas. O padrão mais alto, raro em muitas espécies. |
| F+++ | Quase perfeita. Pode apresentar um pequenino defeito (uma cicatriz de crescimento natural, por exemplo), visível apenas com lupa. |
| F++ | Muito boa. Um ou dois defeitos menores que não comprometem a aparência geral. Ainda considerada uma peça de coleção de alta qualidade. |
| F+ | Boa. Apresenta defeitos visíveis — pequenas quebras no lábio, cicatrizes ou erosão localizada —, mas mantém a forma geral íntegra. |
| F (Fair) | Razoável. Concha com danos significativos — furos, quebras extensas, cicatrizes profundas. Geralmente coletada morta. Aceitável apenas para espécies muito raras. |
| B (Beach) | De praia. Concha coletada morta na praia, descorada pela exposição ao sol e desgastada pela abrasão com a areia. Útil apenas para referência ou estudo. |
Nota
Algumas espécies possuem peculiaridades que dificultam a avaliação de qualidade. Por exemplo, Caducifer atlanticus naturalmente perde as primeiras voltas da espira ao longo da vida — essa perda não é um defeito, e sim uma característica biológica da espécie. O colecionador experiente aprende a distinguir danos naturais de defeitos de coleta.
Onde adquirir conchas
Além da coleta própria, existem diversas formas legítimas de ampliar uma coleção. Cada uma tem suas vantagens:
Trocas (permutas)
A troca de conchas entre colecionadores é a prática mais tradicional e econômica da conquiliologia. O princípio é simples: você oferece exemplares excedentes de espécies da sua região e recebe em troca espécies de outras localidades. Para isso, é fundamental manter um estoque de duplicatas — sempre que coletar, guarde um ou dois exemplares extras de espécies comuns para futuras permutas.
Clubes e sociedades de conquiliologia facilitam enormemente o contato entre colecionadores. Eventos como bolsas de trocas (shell shows) e encontros anuais são oportunidades valiosas. No meio digital, grupos em redes sociais e fóruns especializados permitem contato direto com colecionadores de todo o mundo.
Comerciantes especializados
Existem dezenas de vendedores estabelecidos ao redor do mundo, especializados no comércio de conchas para colecionadores. A maioria opera online, com catálogos detalhados, fotografias individuais de cada exemplar e envio internacional. Os preços variam conforme a espécie, o tamanho, a qualidade e a procedência.
Ao comprar de um comerciante, verifique sempre se as informações de localidade são confiáveis — uma concha sem dados de procedência tem valor científico muito reduzido. Prefira vendedores que forneçam dados completos de coleta.
Leilões e feiras
Feiras de minerais e fósseis frequentemente incluem vendedores de conchas. Leilões online também são uma fonte, embora exijam cautela com a identificação e a qualidade das peças. Conchas raras ou exemplares excepcionais de espécies valorizadas podem alcançar preços significativos em leilões especializados.
Coleta em pescarias
No Brasil, diversas espécies de águas profundas chegam às mãos de colecionadores por meio de pescadores artesanais e industriais, que capturam moluscos como subproduto da pesca de arrasto. Manter contato com pescadores locais pode ser uma fonte valiosa de material de espécies que dificilmente seriam coletadas de outra forma — como volutas, conídeos de águas profundas e pectinídeos.
Quanto custa colecionar conchas?
Uma coleção pode custar muito pouco — ou muito. Tudo depende do perfil do colecionador:
Coleção econômica. É perfeitamente possível montar uma coleção expressiva gastando quase nada, apenas com coleta própria em praias e trocas com outros colecionadores. Muitas das espécies mais bonitas e interessantes do litoral brasileiro são comuns e podem ser encontradas gratuitamente.
Coleção intermediária. Comprando espécies selecionadas de comerciantes, o colecionador pode esperar pagar de US$ 1 a US$ 30 pela maioria das espécies comuns a incomuns. Espécies mais procuradas, em qualidade Gem, custam entre US$ 30 e US$ 100.
Espécies raras. Conchas verdadeiramente raras — como pleurotomariídeos, certas volutas de águas profundas, ou cipreídeos excepcionais — podem custar centenas ou até milhares de dólares. Esses valores refletem os custos reais envolvidos na obtenção: embarcações, equipamento de mergulho ou dragagem, logística e a própria escassez do material.
O preço de uma mesma espécie pode variar amplamente conforme o tamanho, a qualidade (na escala G a B), a procedência e a demanda do mercado. Não existe uma tabela de preços universal, mas publicações de referência e os próprios sites de vendedores permitem ao colecionador avaliar se um preço é justo.
Ferramentas digitais e recursos online
A tecnologia transformou a conquiliologia nas últimas duas décadas. Hoje, o colecionador dispõe de recursos que seriam inimagináveis anos atrás:
Bancos de dados taxonômicos
| Recurso | O que oferece | Link |
|---|---|---|
| WoRMS / MolluscaBase | Base de dados global de moluscos com nomenclatura atualizada, sinônimos, distribuição e literatura. A referência definitiva para verificar se um nome científico está correto. | molluscabase.org |
| GBIF | Infraestrutura global de dados de biodiversidade. Permite consultar registros de ocorrência georreferenciados de qualquer espécie. | gbif.org |
| iNaturalist | Plataforma de ciência cidadã. Permite fotografar moluscos em campo e obter identificação colaborativa de especialistas. Excelente para iniciantes. | inaturalist.org |
| Biodiversity Heritage Library | Acesso gratuito a milhões de páginas de literatura científica histórica — incluindo descrições originais de espécies. | biodiversitylibrary.org |
| Conquiliologistas do Brasil | Catálogo com mais de 4.000 espécies brasileiras, com fotos, dados de distribuição e referências. Organizado por classes e famílias. | conchasbrasil.org.br |
Fotografia de conchas
Fotografar conchas é hoje parte integral do hobby. Um registro fotográfico de qualidade valoriza a coleção e permite compartilhar exemplares com outros colecionadores sem risco de danos. Algumas dicas práticas:
Equipamento. Um celular moderno com boa câmera macro já produz resultados surpreendentes. Para resultados profissionais, uma câmera DSLR ou mirrorless com lente macro (90–105 mm) é ideal. Para microconchas, adaptadores de lente macro para celular ou um estereomicroscópio com câmera acoplada são essenciais.
Iluminação. Luz difusa é fundamental para evitar reflexos. Uma caixa de luz (light box) caseira — feita com uma caixa de papelão revestida por papel vegetal — elimina sombras duras e realça os detalhes da escultura. Evite flash direto.
Fundo. Fundos neutros (branco, preto ou cinza) funcionam melhor para a maioria das conchas. O fundo preto realça conchas claras; o branco realça conchas escuras ou translúcidas.
Gerenciamento da coleção
Para organizar os dados da coleção digitalmente, as opções mais populares entre colecionadores hoje incluem planilhas (Excel, Google Sheets), bancos de dados relacionais (Access, Airtable, FileMaker) e aplicativos especializados. O importante é que o sistema permita busca rápida, inclusão de fotos e exportação de dados.
Livros e referências essenciais
Existem poucos livros e catálogos de referência para colecionadores, muitos deles com edições esgotadas.
Há livrarias especializadas no assunto, como a Conchbooks, onde podem ser encontradas edições esgotadas dos livros, revistas e artigos científicos. Abaixo, uma seleção:
Para espécies brasileiras
| Obra | Autor(es) | Nota |
|---|---|---|
| Compendium of Brazilian Sea Shells | Rios, E. C. (2009) | A referência definitiva para moluscos marinhos do Brasil. 668 pp., ilustrado. Substitui a edição anterior Seashells of Brazil (1994). |
| Land and Freshwater Molluscs of Brazil | Simone, Luiz Ricardo (2006) | Catálogo fotográfico prático com centenas de espécies terrestres e de água doce. |
Para espécies de outras regiões
| Obra | Autor(es) | Nota |
|---|---|---|
| Compendium of Seashells | Abbott, R. T. & Dance, S. P. (1982; reimp. 2000) | Guia clássico mundial. Mais de 4.200 espécies ilustradas. Nomenclatura desatualizada em parte, mas ainda útil como referência visual. |
| A Conchological Iconography (série) | Poppe, G. T. (ed.) (vários anos) | Série de monografias por família (Conidae, Strombidae, Cypraeidae, Muricidae, etc.), com fotos de altíssima qualidade. Referência para colecionadores avançados. |
| Tropical Landshells of the World | Parkinson, B.; Hemmen, J. & Groh, K. (1987) | Referência clássica para conchas terrestres tropicais de todo o mundo. |
Dica importante
A nomenclatura dos moluscos muda constantemente. Qualquer livro impresso estará parcialmente desatualizado em poucos anos. Por isso, use os livros como referência visual e ecológica, mas confirme sempre os nomes científicos em bases de dados online como o MolluscaBase. No catálogo dos Conquiliologistas do Brasil, os nomes são periodicamente atualizados.
Comunidades e sociedades
Participar de uma comunidade é a melhor forma de aprender, trocar material e se manter atualizado. Algumas das principais organizações:
No Brasil: os Conquiliologistas do Brasil (CdB) são a principal referência nacional, mantendo o maior catálogo online de moluscos brasileiros e publicando periódicos como o Strombus Journal. A Sociedade Brasileira de Malacologia, reúne malacólogos e pesquisadores, e pode ser também acompanhada pelo Instagram no perfil @malacologiabrasil
Internacionais: a Conchologists of America (COA), a Deutsche Malakozoologische Gesellschaft (DMG), a Société Belge de Malacologie, a Unitas Malacologica, e a Hawaiian Malacological Society são algumas das organizações que reúnem colecionadores e pesquisadores de todo o mundo. A maioria mantém revistas periódicas e organiza encontros anuais com bolsas de trocas.
Online: grupos em Facebook, Instagram e fóruns permitem trocar informações, identificar espécies e encontrar parceiros de permuta em qualquer lugar do planeta.
Perguntas Frequentes
É preciso autorização para colecionar conchas no Brasil?
Para coleta de conchas vazias (mortas) em praias públicas, para fins pessoais e em pequenas quantidades, não há necessidade de autorização formal na maioria dos casos. No entanto, coletar moluscos vivos requer autorização do ICMBio via SISBIO. Em Unidades de Conservação, as regras podem ser mais restritivas. Sempre verifique a legislação local antes de coletar.
Posso levar conchas do Brasil para o exterior?
A exportação de conchas requer atenção às normas do IBAMA. Conchas mortas, adquiridas legalmente e em pequenas quantidades pessoais, geralmente não enfrentam restrição. Espécies listadas no CITES exigem documentação específica. Na dúvida, consulte o IBAMA antes de viajar.
Qual o melhor livro para começar a identificar conchas brasileiras?
O Compendium of Brazilian Sea Shells (Rios, 2009) é a referência mais completa para espécies marinhas. Para identificação rápida em campo, o catálogo online dos Conquiliologistas do Brasil oferece fotos e dados de mais de 4.000 espécies, organizadas por gastrópodes, bivalves, poliplacóforos e escafópodes.
Como evitar a doença de Byne nas conchas?
A doença de Byne é causada por vapores ácidos liberados por certos materiais de armazenamento (madeiras como cedro e carvalho, espumas de poliuretano, papelão comum). Para evitá-la, use caixas de polipropileno ou acrílico, espuma de polietileno (Plastazote) e papel livre de ácido. Mantenha a coleção em ambiente seco e ventilado.
Qual a diferença entre conquiliologia e malacologia?
A conquiliologia é o estudo e colecionismo das conchas (a estrutura calcária externa); a malacologia é a ciência que estuda os moluscos como um todo — anatomia, fisiologia, ecologia, evolução e taxonomia. A conquiliologia é, portanto, uma parte da malacologia. Para saber mais, consulte nosso artigo Conquiliologia ou Malacologia?
As cores das conchas desbotam com o tempo?
Sim, se a coleção ficar exposta à luz solar ou a iluminação intensa. A principal medida preventiva é manter as conchas em armários fechados ou gavetas. A aplicação de uma fina camada de óleo mineral pode ajudar a preservar o brilho, mas não substitui a proteção contra a luz.
Posso usar água sanitária para limpar conchas?
A água sanitária (hipoclorito de sódio diluído) pode ser usada para limpar conchas muito sujas ou com incrustações orgânicas, mas deve ser usada com cautela: concentrações altas ou imersão prolongada podem danificar o perióstraco e descolorir a concha. Use solução diluída (1:10), por tempo limitado (15–30 minutos), e enxágue abundantemente. Nunca use em conchas com perióstraco intacto ou com nácar exposto.
Onde posso ver e identificar espécies de moluscos brasileiros?
O catálogo dos Conquiliologistas do Brasil é o maior recurso online em português. Navegue pelas classes e famílias: gastrópodes marinhos, gastrópodes terrestres, gastrópodes de água doce, bivalves marinhos, bivalves de água doce, cefalópodes e poliplacóforos.
Referências
- Rios, E. C. (2009). Compendium of Brazilian Sea Shells. Fundação Cidade do Rio Grande, 668 pp.
- Abbott, R. T. & Dance, S. P. (1982). Compendium of Seashells. American Malacologists Inc., 411 pp.
- Coltro Jr., J. (2004). Conchas do Brasil / Shells from Brazil. Conquiliologistas do Brasil.
- Simone, Luiz Ricardo (2006). Land and Freshwater Molluscs of Brazil. FAPESP, 390 p.p.
- Parkinson, B.; Hemmen, J. & Groh, K. (1987). Tropical Landshells of the World. Verlag Christa Hemmen, 279 pp.
- Abbott, R. T. (1974). American Seashells. 2ª ed. Van Nostrand Reinhold, 663 pp.
- Poppe, G. T. (ed.) (vários anos). A Conchological Iconography. ConchBooks, Hackenheim.
- MolluscaBase (2025). MolluscaBase / WoRMS. Disponível em: molluscabase.org
- Brasil. Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998. Dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente.
- ICMBio. Sistema de Autorização e Informação em Biodiversidade — SISBIO. Disponível em: www.gov.br/icmbio
© Conquiliologistas do Brasil — conchasbrasil.org.br
Guia atualizado em abril de 2026. Versão original publicada em julho de 2005.